Olá! Como você está indo por aí? Este foi um...
Olá! Como você está indo por aí?
Este foi um dos primeiros textos que escrevi quando surgiu a ideia do blog. Tenho um especial carinho por ele porque se trata de uma questão muito cara do lado de cá.
Morei durante sete anos fora do Brasil e a condição de (i)migrante impôs diversos desafios ao meu mundo interior. Foi falando muito dela na minha análise que percebi que migrar pode ser parte da nossa história: algumas mudanças implicam a elaboração de lutos e perdas de quem fomos ou desejávamos ser.
No meu caso, por exemplo, mesmo antes de sair do Brasil, já tinha morado em quatro diferentes cidades, sendo uma delas em um estado cuja cultura era bem distinta da que estava adaptada.
Sendo este um tema central para mim, acabei escrevendo sobre ele como Trabalho de Conclusão do Curso de Formação em Psicanálise no Instituto Internacional de Psicanálise (IIP) e aqui vocês encontram um resumo didático sobre como penso e trabalho com as questões migratórias.
Espero que gostem!
***
Você já se sentiu fora do lugar? Como se não pertencesse ali, mesmo estando presente?
Esse sentimento é muito comum para quem passou ou está passando por uma mudança grande, como mudar de cidade, país ou cultura. E não se trata só de uma questão prática, mas de algo mais profundo: quem sou eu agora? Onde está o meu lugar no mundo?
Essa pergunta, que tantas pessoas em situação de migração se fazem, é também uma das que a psicanálise tenta escutar com cuidado. Afinal, migrar mexe com nossa identidade, com o sentimento de pertencimento, com o nosso desejo de viver.
Mudar de país ou cidade não é só arrumar malas. É se deparar com outra língua, outros olhares, outras formas de viver. Tudo isso pode provocar estranhamento, insegurança, e até dor psíquica.
A gente perde referências conhecidas, perde um pedaço do chão onde pisava com firmeza.
Freud dizia que o que é “estranho” muitas vezes já foi familiar – só que agora, por algum motivo, causa desconforto. É o que ele chamou de “infamiliar”: uma sensação de algo que deveria acolher, mas assusta.
Quando se chega a um novo lugar, é comum ser imediatamente rotulado: “estrangeiro”, “refugiado”, “imigrante”, “diferente”. Esses rótulos não são neutros. Eles moldam a forma como o outro nos vê — e também como passamos a nos enxergar.
Isso pode abalar nossa autoestima, nossos desejos, e até a imagem que construímos de nós mesmos. Sintomas como ansiedade, tristeza, vazio ou desorientação muitas vezes surgem daí, sem que a gente consiga entender de onde exatamente vieram.
Para muitas pessoas, o sofrimento vai além da mudança. Ele começa no olhar do outro que rejeita, exclui ou desumaniza.
A psicanalista Neusa Santos Souza e o pensador Frantz Fanon falaram sobre como a cor da pele, o sotaque, a origem ou o jeito de existir fazem com que certas pessoas já sejam tratadas como “estranhas” antes mesmo de falarem.
Esse olhar machuca. E pode atingir algo muito íntimo: a vontade de seguir em frente, de construir uma vida com sentido, de se sentir digno.
A psicanálise não está aqui para “consertar” ou adaptar o sujeito a um novo lugar. Ela existe para escutar — escutar o que muitas vezes nem conseguimos colocar em palavras.
Ela oferece um espaço seguro para falar do sofrimento de não pertencer, da dor de ter perdido um lugar, mas também da possibilidade de se reinventar. De encontrar, mesmo na dor, um novo modo de existir que faça sentido para você.
Você já se sentiu estrangeiro, mesmo estando no seu país, na sua cidade, ou até na sua própria casa?
Já viveu ou está vivendo a experiência de migração?
Como isso afetou sua relação com você mesmo? Com os outros?
✉️ Me conta como foi para você por mensagem! 🙂
Espero que a gente se encontre logo! Um abraço e até já!
🛋️ ☕
Olá! Como você está indo por aí? Este foi um...
Olá pessoal! Como é que vocês estão? Tenho frequentemente notado...
O que é psicanálise? Olá pessoal! Como vocês estão? Queria...
Psicologia e/ou Psicologia? Olá pessoal! É uma alegria imensa iniciar...